Os meios de comunicações atuam como “ferramentas de representação cultural”. A partir destes, apresentados em diferentes suportes como o jornal ou a revista, podemos ter uma percepção geral de determinados comportamentos de uma sociedade, como também de suas ideologias, seus hábitos, suas formas de vida e seus costumes (TEIXEIRA; VALÉRIO, 2008). Isso traz à tona as memórias sociais, coletivas, individuais e históricas. Neste sentido, podemos considerar que um leitor tem sua memória individual e coletiva acionada quando toma contato, por exemplo, com a leitura de revistas de fotonovela.
As Fotonovelas
Fotonovela é uma mistura de quadrinho, fotografia e novela. As fotonovelas são fotografias em quadrinhos, com falas em balões, semelhantes a gibis, com características singulares, como o uso das fotos e a narrativa, que pode ser de romances, dramas, amizades, amores proibidos, etc.
Surgiu nos anos de 1940, na Itália. A semelhança com as telenovelas se deve à popularização do cinema e, claro, à fama dos atores e atrizes. Como nem todos tinham acesso ao cinema, foi elaborada uma forma para que mais pessoas pudessem conhecer as histórias e os artistas. Surge, aí, a primeira revista de fotonovela, a Fotoromanzo, em 1947, criada por Estefano Reda (jornalista) e Giorgio Camis de Fonseca. A publicação não apresentava uma história própria, mas uma sequência de fotos de filmes. Assim como as telenovelas, as fotonovelas são baseadas em romances, intrigas, superações, desfecho com finais felizes (ou não).
No Brasil, as primeiras fotonovelas publicadas de que se tem notícia foram da revista Encanto, embora as revistas Grande Hotel e Capricho tenham alcançado fama ainda maior, no início dos anos 50.
As Revistas de Rádio
Não se pode esquecer, ainda, do cinema e de vários órgãos de imprensa, que faziam com o que cantor “ouvido” pudesse ser “visto” por todo o Brasil, corporificando a voz que já era transmitida por meio de discos e de programas radiofônicos. Os fãs-clubes que então surgem são um reflexo popular e, organizados em pequenos grupos ou células, divulgavam material do ídolo, servindo como uma ponte interessante para as gravadoras e para o próprio intérprete, que, por essas agremiações, poderia ter exata noção da própria popularidade, servindo-se delas para a maior aquisição de seus discos. Essas entidades, observam Luiz Carlos Saroldi e Sonia Virgínia Moreira (2005, p. 122), “acompanhavam os seus ídolos em qualquer aparição pública. O auditório da Rádio Nacional era o ponto de encontro preferido dos fãs, mesmo porque era ali, no palco da emissora, que estavam as vozes mais cobiçadas do momento”.
A capa de cada edição, na maioria das vezes, é ilustrada com a foto de um artista famoso do rádio. A revista promove a rádio que, por sua vez, promove a revista. Em seu conteúdo editorial, reportagens sobre cantores, artistas, radialistas e animadores divulgam também premiações, eventos e programas especiais do rádio, por meio de um conjunto de imagens representativas da sociedade da época, como se pode observar na matéria da edição n. 948: “No auditório da Rádio Mayrink Veiga: a festa de aniversário de Silveira Lima – grande desfile de astros e estrelas”. Como afirma Debord (1997, p. 18): “o mundo real se converte em simples imagens e as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico”. Em 1938, é lançada a revista Pranove, como órgão oficial da Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro. Com aproximadamente cinquenta páginas, tamanho 26 x 18 cm, é vendida em bancas de jornal, ou distribuída via assinatura. Em seu conteúdo editorial, apresenta os cantores e compositores consagrados e contratados pela emissora Mayrink Veiga, cujas imagens estampam as capas das edições da revista
A revista Pranove, em seu conteúdo editorial, apresenta matérias sobre os artistas e cantores brasileiros que se destacam no cenário internacional. Na edição n. 6, de novembro de 1938, a matéria “A despedida de Carmem” relata a noite de despedida da cantora Carmem Miranda, em partida do Brasil para Nova Iorque, para apresentar a música brasileira. Obviamente nos interessa aqui a análise da revista em um momento histórico da comunicação no Brasil, e não a condição política da presença de Carmem Miranda nos EUA, naquele momento em que este país necessita de apoios diante da conjuntura mundial.
Em 1949, é lançada a Revista do Rádio, cuja publicação desempenha um papel importante para a emergente indústria cultural no país, por ter nos artistas da Rádio Nacional um extenso repertório de assuntos para preencher as suas páginas e atrair muitos leitores e ouvintes, divulgando os anunciantes. E é com essa revista que surgem as Rainhas do Rádio.
As Rainhas são Coroadas
A primeira Rainha do Rádio foi indicada por um colégio eleitoral formado por diretores e representantes da direção das emissoras presentes ao baile pré-carnavalesco, na noite de 18 de fevereiro de 1936, Linda Batista (1919-1988) recebeu o cetro e coroa do que seria o mais longo reinado do rádio. Somente doze anos após, o concurso teria uma nova feição. E uma finalidade beneficente.
Já a eleição do ano seguinte seria bem menos tranquila, pois envolveu Emilinha Borba (1923-2005) que já era a chamada Favorita da Marinha e com cinco anos dedicados à Nacional. Além disso, Emilinha havia emplacado em 1947 o seu primeiro grande sucesso, a rumba “Escandalosa” tendo por concorrente a recém-chegada Marlene (1924), que partiu sem temor rumo a disputa da Coroa de Rainha do Rádio.
Os publicitários da época aproveitaram da fama dessas rainhas, atrizes e cantoras para servirem de patrocínio para seus produtos, incluindo produtos de higiene e beleza como as do sabonete Eucalol, as páginas sendo da revista Fon-Fon e apresentam as "beldades" protagonizando essas propagandas em formato testemunhal.
Alunos: Ana Beatriz, Brenda Kriscia, Guilherme Henrique, Henrique Camargo, Isadora Teles, Lanna e Yasmim
Referências
file:///C:/Users/User/Downloads/Template-Casa-de-Ideias_fotonovela.pdf
https://tede2.uepg.br/jspui/bitstream/prefix/3259/1/Cristiane%20Spicalski.pdf
https://blog.estantevirtual.com.br/2011/10/25/a-volta-das-fotonovelas/
https://brapci.inf.br/index.php/res/download/163848








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