No Brasil, as publicações dedicadas
exclusivamente ao público feminino começaram a serem criadas na primeira metade
do século XIX, um período em que muitas mulheres ainda eram analfabetas, e
contribuíram para seu desenvolvimento crítico e com o um veículo para sua busca
de direitos; como em
30 de outubro de 1897, onde a jornalista Maria Emília escreve e publica seu segundo
número no jornal A Mensageira o texto de
abertura, “Falso encanto”.
"Sempre que se fala em modificar a educação da mulher ou ampliar os seus meios de ação, aparece alguém que faça a apologia da mulher como rainha que deve ser... pela fraqueza! Que o encanto da mulher está justamente na sua ignorância, na sua timidez, na sua infantilidade! Pensem assim ou não, entretanto, queiram ou não queiram, a mulher instruída, forte, capaz de velar à cabeceira de um filho enfermo, auxiliando as perscrutações da ciência; ou de repelir com energia as chalaças de qualquer imbecil, será a mulher do futuro, será a verdadeira companheira do homem, que sabe participar de seus pensamentos e ajudá-lo em todas as resoluções difíceis. A posição negligente de tutelada deixará de existir quando a mulher compreender que sobre seus ombros pesam também as responsabilidades sociais"
A revista O Jornal das Senhoras, considerada a primeira publicação de “corte feminino”, porque produzida por mulheres e para mulheres, trazia como subtítulo “Modas, Literatura, Belas-Artes, Teatros e Crítica”. Era semanal, com oito páginas, e saía com data de domingo. Costumava trazer brindes para as leitoras: moldes de vestidos e sugestões de penteado, além de partituras de piano.
Sua criação pode ser atribuída à escritora argentina Joana Manso de Noronha, que migrou com a família para o Brasil, fugindo da perseguição política sofrida por seu pai durante a ditadura de Juan Manuel Rosas. Segundo Joana, que assina o editorial do primeiro número da publicação, O Jornal das Senhoras vinha “para propagar a ilustração e cooperar com todas as forças para o melhoramento social e para a emancipação moral da mulher”. Joanna teria se separado do marido brasileiro em 1853, voltando para a Argentina e continuou lá seu trabalho de educadora e de militante. Em seu lugar, a baiana Violante Ximenes Bivar e Velasco assumiu a condução do periódico até seu final em 1855.
No período anterior à Guerra Civil Americana, Godey's Lady's Book foi uma revista feminina dos Estados Unidos que obteve a maior circulação do gênero. Sua circulação aumentou de 70.000 na década de 1840 para 150.000 em 1860.
Na virada do século XIX, as mulheres ainda lutavam para conquistar mais espaço e liberdade dentro de uma sociedade conservadora. Houve então uma grande sacada das agências: se as mulheres eram responsáveis pela maior parte das compras da família, por que não explorar o papel relevante delas na sociedade? Este pensamento foi fundamental na valorização das habilidades femininas nos processos criativos a fim de ganhar o mercado.
Há relatos de profissionais que relacionam a influência das mulheres no universo publicitário à criação da primeira propaganda com apelo sexual. A propaganda era de um sabonete facial e apresentava a seguinte mensagem: “A pele que você ama tocar”. Esta propaganda era ilustrada com a imagem de um casal. Na época, este anúncio representou um avanço na utilização da sexualidade como ferramenta publicitária com uma imagem que, na época, foi bem chamativa.
Com essa maior atenção passada às mulheres e o crescente número de alfabetizados, também surgiram revistas direcionadas às famílias dessas mulheres, entre elas sendo O Tico-Tico. que foi a primeira e a mais importante revista voltada para o público infanto-juvenil no Brasil. O primeiro número circulou em 11 de outubro de 1905, tendo à frente o jornalista Luís Bartolomeu de Souza e Silva. Já no ano seguinte tornou-se sucesso nacional de vendas, chegando à impressionante tiragem de 100.000 exemplares por semana.
Em suas páginas podiam ser encontrados passatempos, mapas educativos, literatura juvenil e informações sobre história, ciência, artes, geografia e civismo. Fotografias e desenhos dos leitores, enigmas e concursos também eram publicados. Contudo o mais singular e pioneiro no semanário foi a publicação de histórias em quadrinhos destinadas ao público infantil no Brasil. Com dois tipos de papel, quatro páginas coloridas e as demais em branco com verde, vermelho e azul, inovações gráficas e visuais, abriu espaço para novos autores, ilustradores e desenhistas.
O formato gráfico tinha influência francesa, porém seus temas e personagens estavam ligados à afirmação de elementos da identidade nacional.
Roupas para meninos com muito requinte para o ano de 1916. A loja de departamentos Casa Colombo fazia uso da publicidade em revistas com anúncios chamativos aos pais para aquisição de roupas para o verão. Uma imagem ilustrava a ocasião, com garotos brincando e apresentando as roupas em oferta.
Os anos iniciais de 1900 determinaram uma guinada significativa no panorama geral da imprensa brasileira. Os sistemas de produção de impressos, respondendo aos anseios de uma sociedade capitalista, alcançaram o ápice de seu desenvolvimento, tornando-se uma "grande empresa". Fruto desse contexto, os periódicos nacionais relativizaram sua função de agentes mobilizadores de ideias e críticas sociais, para se converterem em dispositivos de entretenimento e alienação ideológica. Com isso, as revistas destinadas ao "belo sexo" não sustentavam mais a intenção de despertarem em suas leitoras o interesse por temas ditos "sérios" como cultura, ciências ou economia, mas, antes, oferecer um conteúdo "leve", desprovido de preocupações políticas.
Sendo assim, mesmo inscritas em uma realidade que favorecia a abertura de determinados espaços sociais às mulheres, as revistas a elas endereçadas estavam carregadas de ideologias disciplinadoras, cujos conteúdos limitavam o acesso a certas informações e até mesmo a produtos considerados "úteis" e circunscritos ao universo feminino.
Possuidora de uma característica acentuadamente elitista, comum aos grandes magazines de informação da época, essa característica reside em sua natureza seletiva e temática, pois, mesmo sendo endereçada a um público variável e exclusivamente feminino, ou seja, burguesia e classe média, ela ainda estava impregnada pelo elitismo cultural que marca a imprensa do século XIX. (NAHES, 2007, p. 103-104).
Dentre os vários títulos que ganharam notoriedade nessa época encontram-se as revistas femininas Fon-Fon e Jornal das Moças. com a Fon-Fon se propondo a ser "um semanário alegre, político, crítico e esfuziante", capaz de representar o espírito de modernidade que pairava sobre a capital da República. Em termos de tipologia documental, é possível caracterizá-la como um magazine destinado ao público feminino, com periodicidade semanal e que se auto-proclamava "uma revista literária e ilustrada". 
"Fon-fon se transformou em uma cartilha político-educacional obrigatória, que deveria ser seguida incondicionalmente, oferecendo ao público feminino uma cultura de entretenimento, portanto, alienante, pouco questionadora, por meio de publicações como: receitas culinárias, bordados, propagandas, conselhos sobre qual a melhor postura feminina diante do homem (que conviesse a ele, logicamente), além de folhetins, americanos ou ingleses, focando suas lentes, sobremaneira, nas imagens. Moda, moldes e fotografia mencionavam, explicitamente, todas as regras do saber viver, do bom gosto, enfim, regras estas que todas as jovens de boa família deveriam conhecer, para realizar um bom casamento e ter um bom comportamento social." (NAHES, 2007, p. 107).
Referências
https://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2015/08/Revistas-femininas-do-s%C3%A9culo-XIX.pdf
https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-03/jornais-foram-os-primeiros-publicar-mulheres-no-brasil
Rose, Anne C. (2004). Voices of the Marketplace: American Thought and Culture, 1830-1860 (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield
https://www.bn.gov.br/explore/curiosidades/acervo-tico-tico-mais-importante-revista-voltada-publico
https://www.scielo.br/j/pci/a/DwRXrzxhZRs6k3Wz8GsWsNh/?lang=pt#










Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.