segunda-feira, 2 de maio de 2022

ATIVIDADE AULA 2 \ GRUPO 3 - Era de Ouro dos Rádios

O rádio teve sua expansão mundial após a Primeira Guerra (1914-1918), quando houve grande desenvolvimento nos meios eletrônicos e de comunicação para fins militares. No Brasil, o rádio atingiu seu apogeu em 1930, como principal veículo de comunicação em massa, na mesma época em que o país era governado por Getúlio Vargas.

Nesse período, iniciou-se a chamada “Era de Ouro do Rádio”, quando ele se popularizou e tornou-se um meio de entretenimento. Antes disso, o rádio não era explorado para publicidade ou informação como hoje. Na época, o presidente estabeleceu concessões às empresas particulares para o uso do rádio e, em troca, utilizava o meio como propaganda para divulgar seus feitos e enviar mensagens políticas aos ouvintes no programa obrigatório “A hora do Brasil”, que mais tarde tornou-se “A voz do Brasil”.

Todas as rádios disputavam a audiência dos ouvintes caçando e lançando novos artistas em shows de calouros. Assim surgiram grande nomes da Música Popular Brasileira, como Ary Barroso, Dalva de Oliveira e Orlando Silva.
Os anos 1930 e 1940 marcaram a ascensão e auge do Rádio no Brasil.

ARTISTAS DA ÉPOCA

Carmen foi a maior cantora da década de 1930. Brilhou no disco, como estrela da Victor e Odeon, na Rádio Mayrink Veiga e depois nos Era dos Cassinos – cujo auge foi de 1936 até a proibição do jogo, dez anos depois. Foi no num deles, no da Urca, que ela foi descoberta por um empresário americano que a levou para a “América”, onde faria apenas uma participação numa “revista” local, mas em poucas semanas já era o primeiro nome nos letreiros. Lá se transformou numa atriz-comediante de êxito internacional, chegando a ser por um período o maior salário de toda Hollywood. Aqui, porém, foi uma cantora à frente do tempo, primeiro por já entender a importância da performance e de uma interpretação mais coloquial e teatralizada, depois também por não gostar de músicas tristes, num tempo em que a melancolia predominava nas músicas românticas e até em algumas mais ritmadas.


Seu misto de malícia e ingenuidade, juntamente com seu faro para grandes canções, consagraram lindos sambas e marchas de Ary Barroso (“Na Baixa do Sapateiro”, “Eu dei”), Lamartine Babo (“Chegou a hora da fogueira”), Custódio Mesquita (“Quem é?”, em duo com Barbosa Júnior), Assis Valente (“Camisa listrada”, “Uva de caminhão”), Synval Silva (“Adeus, batucada”), além de lançar Dorival Caymmi, gravando em duo com ele, “O que é que a baiana tem?”. Sua irmã Aurora Miranda também teve um breve período de sucesso na mesma década, gravando a inesquecível “Cidade maravilhosa”, de André Filho, e em duo com a mesma Carmen a marcha que cito na abertura deste texto, “Cantores de rádio”, de Braguinha, Alberto Ribeiro e Lamartine Babo.


Ainda nos anos 1930, surge O Samba em Pessoa, Aracy de Almeida, considerada por muitos a maior sambista da história, com sua voz nasalada, sua irreverência e também um baita bom gosto para escolher repertório. Foi a grande intérprete de Noel Rosa (“Palpite infeliz”, “O x do problema”, “Último desejo”), mas também de Wilson Batista (“Louco (Ela é seu mundo)”) e Haroldo Lobo (“O Passarinho do Relógio”). Foi a lançadora de “Camisa amarela” (Ary Barroso) e de outros sambas imortais como “Tenha pena de mim”, “Não me diga adeus”, “Fez bobagem” e “Saia do (meu) caminho”.


Década de 40. Em 1942, surge a potiguar Ademilde Fonseca, cantora de afinação e ritmo admiráveis, pioneira do choro cantado, interpretando os versos numa velocidade impressionante sem prejudicar a compreensão do texto. Começou descolando uma letra para o velho “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu. Depois, imortalizou muitos outros clássicos atemporais do gênero, como “O que vier eu traço” e ainda “Pedacinhos do céu” e “Brasileirinho”, ambas de Waldir Azevedo.


Emilinha Borba foi o símbolo do conservadorismo dentro da Rádio Nacional. Cumpria seus compromissos, não tinha histórico de namoricos ou bebedeiras, vestia-se de forma discreta, nunca usava decotes ou mostrava as pernas e pintava-se de maneira sóbria. Além disso, fazia o papel de boa mãe e esposa exemplar, o que gerava uma grande identificação das mulheres que a escutavam.

Extremamente simpática, a cantora respondia cartas das ouvintes na Revista do Rádio. Também mantinha outra coluna na revista, a Diário de Emilinha, onde contava as atividades mais corriqueiras, desde apresentações até novidades do filho e do marido. Emilinha nasceu na Zona Norte do Rio e casou-se com Artur Sousa Costa Filho, com quem viveu por 23 anos e teve um filho. Gravou 117 discos 78 rpm e 89 LPs. Muitas das marchinhas de Carnaval que escutamos ainda hoje foram interpretadas por ela, como Chiquita Bacana, Tomara que Chova e Marcha do Remador.


Dircinha Batista e Linda Batista foram duas das maiores cantoras da Era do Rádio, amigas até mesmo do presidente Getúlio Vargas. A primeira, de voz mais suave e repertório eclético, começou ainda adolescente, emplacando a marcha “Periquitinho verde” no carnaval, e a segunda, embora três anos mais velha, começou logo a seguir, sendo uma sambista arrasta-quarteirão, com uma personalidade expansiva e divertida. O auge de ambas foi entre o fim dos anos 1940 e a primeira metade dos 50. A primeira com o samba-canção “Nunca” e os carnavalescos “Máscara da face” e “A mulher que é mulher”, a segunda com “Vingança”, “Volta” (ambas de Lupicínio Rodrigues) e “Risque” (Ary Barroso) – as três já na fase do samba-canção, gênero preponderante do fim dos 1940 varando toda a década seguinte – e muitas canções de carnaval.


Até hoje existem gravações inesquecíveis que nos ajudam a entender o fascínio gerado pelas estrelas do rádio que, mesmo invisíveis, ditavam a moda e os costumes. Já as décadas de 1950 e 1960 viram surgir a concorrência “desleal” da televisão. Muitos dos ídolos do rádio não conseguiram viajar de um meio ao outro. O mundo mudava rápido, e a música acompanhava.



Alunos: Ana Luíza Rodrigues, Elisa Maria Ferreira, Gabriela Peixoto, Geovanna Acácia, Luíza de Freitas, Lorenzo Cabral, Matheus Prado.


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